Porque amo a fotografia

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A estrutura funcional de nossa memória está basicamente organizada em memórias de curto prazo e memórias de longo prazo. Ou seja, a memória de curto prazo, ao meu ver, está mais relacionada ao mosaico de acontecimentos que determinam a nossa sobrevivência no curto prazo. Isso nem sempre é algo poético, principalmente nos dias de hoje onde somos triturados pelos compromissos e exigências do cotidiano e, boa parte do tempo nem vemos a vida passar…

Já as memórias de longo prazo, esse sim, são o registro inconteste da NOSSA VIDA e daquilo que de fato construímos com a nossa vivência e o que, de certa forma nos define como gente.

Eu sempre disse e acredito, que somos “construtores de imagens”, mesmo que isso, muitas vezes aconteça sem nem mesmo que nos demos conta dessa construção. Como dizia o poeta Carlos Drummond de Andrade: “Tudo é mais tarde” …nada é agora. O agora é fotografar para revelar no futuro. ” E esse revelar é absolutamente rico em detalhes que na ocasião nos passaram desapercebidos.

Dessa forma, a vida que se constrói agora é para ser VIVIDA, intensamente, no futuro através das memórias. Não por acaso, à medida que a nossa idade se alonga, vamos perdendo cada vez mais a memória de curto prazo e avivando significativamente a memória de longo prazo: aquela que busca a vida realmente vivida, ou seja, as imagens que construímos por melhor ou pior que elas sejam.

Fotografar deu-me a incrível magia de construir belas memórias, mas, sobretudo, essa capacidade só faria algum sentido se eu as pudesse compartilhar de alguma forma e de tal forma que pudesse estimular nos outros o sentido de viver e degustar os milagres da natureza. E, em assim fazendo, oferecer gatilhos significativos para que mais e mais gente, possa dar sentido a sua existência e desfrutar do milagre da existência.